BRASIL

Empresário fatura R$ 335 milhões com empresa que criou para dar emprego ao pai



O ano era 1984 e o cenário econômico era desfavorável no Brasil – motivado pela segunda crise mundial do petróleo. Rubens Augusto Junior, que na época tinha 26 anos, viu seu pai sofrer um infarto após perder o emprego na loja de móveis em que trabalhava. Os médicos disseram que ter uma atividade seria essencial em sua recuperação. Junior não pensou duas vezes: abriu o próprio negócio para empregar o pai. O que ele não imaginava é que, pouco mais de 20 anos depois, o negócio se transformaria em uma rede que faturou R$ 335 milhões no ano.

Ele trabalhava na Companhia Energética de São Paulo (CESP) e passava todos os dias por um sobrado azul com a placa de "aluga-se", no bairro do Paraíso, em São Paulo. Colocou na cabeça que aquele seria o lugar ideal para seu negócio, mas ainda não sabia o que fazer. Lembrou, então, de uma das coisas que mais gostava. "Meu hobby aos finais de semana era sair cedo, comprar ingredientes e fazer pizzas exóticas para os meus amigos", conta o empresário. O título de "melhor pizzaiolo amador" da turma o motivou a entrar profissionalmente no ramo, com a Patroni.

Para inaugurar a pizzaria, o empreendedor de primeira viagem contou com a ajuda de dois cunhados, que dividiram o investimento equivalente a R$ 50 mil atuais. Seu pai assumiu a coordenação de entregadores, que usavam bicicletas para levar as pizzas aos clientes. Inicialmente, Junior não largou seu antigo emprego: ele acordava às 7h da manhã para ir à CESP, onde ficava até as 18h, depois seguia para a pizzaria e só deixava o estabelecimento após o encerramento do turno, por volta de 1h.

Uma das chaves para os bons resultados alcançados pela Patroni logo no início do trabalho foram justamente as entregas. "Era uma pizzaria para viagem. O delivery era muito incipiente no Brasil e em São Paulo. Na região em que atendíamos, só havia uma casa que fazia entregas", diz o empresário. Como agradecimento pela ajuda no setor, Junior comprou as cotas de um dos cunhados e deu de presente ao pai.

As "pizzas exóticas" que o empresário fazia por diversão antes de inauguar o negócio também marcaram positivamente os primeiros passos da empresa. "Contratei um excelente pizzaiolo, com o estilo que eu fazia em casa, e desenvolvemos juntos as receitas. Uma delas leva o nome até hoje, a Don Patroni", explica.

O ano de 1997 foi difícil para Junior. Seu pai e seu cunhado morreram, deixando-o sozinho no comando da Patroni. O momento complicado levou o empresário a tomar uma importante decisão:  "Tive que optar: continuava na CESP ou abraçava meu próprio negócio". Ele escolheu ficar com a pizzaria e, a partir daí, começou a investir todos os seus esforços na expansão.

A rede, que tinha três unidades até então, chegou ao ano de 2003 com nove lojas. Foi quando Junior resolveu deixar de lado o receio e começou a trabalhar com o sistema de franquias. No período de um ano, a Patroni já contava com 17 unidades.

Atualmente, são 192 pontos espalhados pelo Brasil, dos quais apenas 13 são próprios. "O primeiro objetivo é a expansão por franquias. Elas te possibilitam ter um sócio em cada unidade. O segredo do negócio é o próprio dono da loja", afirma o empreendedor.

Apesar de ter alcançado o maior faturamento da história da empresa em 2015, Junior não é otimista em relação à situação econômica do País. Segundo o fundador da Patroni, o número de franqueados passou a declinar a partir de 2014. Ele conta que o resultado de R$ 335 milhões só foi possível por conta de lojas que já tinham contrato fechado, mas passaram a funcionar apenas no ano passado.

"Eu passei por todos os planos econômicos, por todas as recessões, desemprego e dificuldades econômicas, mas o governo Dilma foi o pior. Foi uma tragédia muito grande para todos os setores", justifica.

Para driblar as dificuldades do atual cenário, Junior resolveu investir em um novo modelo de negócios. Em meados de 2014, o empreendedor lançou a Patroni Expresso, franquia de valor mais baixo que oferece produtos diferentes dos encontrados nas unidades premiun da rede. Com investimento inicial que varia entre R$ 150 mil e R$ 200 mil, o franqueado pode trabalhar com a venda de fatias de pizza, sanduíches, hot dogs, salgados, cafés e sorvetes.

Junior vê o futuro da empresa diretamente ligado à manutenção ou saída de Dilma Rousseff na presidência do Brasil. "Eu acho que o fundo do poço já chegou. Em queda eu não acredito. Imaginamos que, com a saída da presidente, a economia volte a crescer. Caso isso aconteça, a projeção gira em torno de 40 novas lojas e aumento 15% no faturamento. Fora desse quadro, esperamos ficar no 0 a 0 ou crescer até 5%", conta.

Um importante investimento planejado por Junior, aliás, só acontecerá em caso de impeachment: "Estava trabalhando no lançamento da Patroni nos Estados Unidos. Tinha tudo alinhado, tudo preparado, e aí veio a crise. Tive que colocar o valor do investimento na empresa e o momento se tornou desinteressante por conta do câmbio. Adiei o plano para este ano, mas só vai ser realizado se trocar o presidente".

Após empregar seu pai, Junior deseja passar o bastão da companhia para seus filhos. Dois dos três herdeiros do empresário já trabalham na empresa, nos setores de marketing e assessoria jurídica. "Eles se propuseram a isso. Nunca forcei meus filhos a nada", conclui, orgulhando-se ao dizer que os herdeiros agora serão "a bola da vez" na Patroni.

Autor: Redação Ferreguion

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