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Desabrigados acusam prefeitura de armar 'emboscada' para desocupar CEU em SP



Um grupo de aproximadamente 60 famílias abrigadas no CEU Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, está impedido de acessar ou deixar o local desde a manhã desta segunda-feira (6). Segundo relatos, guardas civis municipais estão barrando as pessoas no portão e aqueles que já estão dentro do centro educacional não conseguem sair de lá sem passar por bate-boca com os agentes.

O grupo está alojado em uma área dentro da escola desde o dia 14 de maio, quando um incêndio destruiu 67 barracos na favela do Paraisópolis. Entre os ocupantes do local estão 33 crianças e seis mulheres grávidas.

De acordo com uma integrante da diretoria do centro educacional que não quis se identificar, o fechamento da unidade foi determinado, "até segunda ordem", pela Secretaria Municipal de Educação, pasta da gestão Fernando Haddad recentemente assumida pela vice-prefeita Nádia Campeão.

A ação conjunta entre servidores da SME e agentes da Guarda Civil Municipal na manhã desta segunda-feira se deu no momento em que líderes da comunidade do Paraisópolis estavam reunidos com integrantes da equipe de Haddad na sede da Prefeitura de São Paulo.

De acordo com o presidente da União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis (UMCP), Gilson Rodrigues, lideranças da favela foram convocadas no fim da semana passada para a reunião ocorrida às 10h desta segunda-feira. O objetivo do encontro, que contou com a presença de conselheiros do conselho de urbanização do Paraisópolis, de um representante do gabinete do prefeito, e de técnicos das secretarias da Habitação e da Educação, seria o de discutir uma solução para o problema habitacional na favela. A prefeitura alegou que a reunião, na verdade, seria para expor as informações levantadas pela Secretaria Municipal de Habitação sobre as vítimas do incêndio.

"A gente foi [para o encontrro] achando que a reunião era para resolver e dar atendimento às famílias desabrigadas, mas a gente sentiu que a estratégia era mesmo tirar a gente [líderes] do Paraisópolis para fazer as famílias saírem do CEU", afirma Rodrigues.

O presidente da UMCP diz ainda que o encontro foi improdutivo. Ele conta que abandonou a convesa por causa das mensagens que recebia de moradores relatando o fechamento do CEU. "A reunião não era para tentar resolver o problema. Começaram a nos questionar sobre pessoas que não eram da comunidade e estavam tentando conseguir moradia. Enquanto isso, os moradores estavam ligando desesperados. Pedimos para que checassem o que estava acontecendo, e aí a gente foi obrigado a sair da reunião para preservar e ajudar os moradores", relata Rodrigues.

As famílias que estão abrigadas no CEU Paraisópolis possuem um crachá de identificação e, embora não impedissem o desenvolvimento das atividades regulares do centro educacional, estavam proibidas de receber visitas e doações no local. Apesar dessa restrição, a entrada e saída dos ocupantes nunca havia sido regulada até esta segunda-feira.

Os integrantes da UMCP ameaçam fazer um protesto em frente à sede da prefeitura paulistana nesta terça-feira (6) para cobrar uma solução para o problema.

Autor: Redação Ferreguion

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