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Ex-presidente da Eletronuclear pediu propina para projetos futuros, diz delator



O ex-presidente da Andrade Gutierrez, Rogério Nora de Sá, afirmou à Justiça Federal no Rio de Janeiro que o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, durante sua gestão à frente da presidência da Eletronuclear, pediu "contribuição política" para o PT e para o PMDB e "contribuição científica". Segundo Rogério Nora, que é um dos onze delatores da empreiteira na Operação Lava Jato, Pinheiro da Silva pediu que a empreiteira contribuísse com 1% sobre o valor das obras para que ele pudesse atender aos seus "projetos futuros".

O ex-presidente da Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras, é acusado de ter recebido propina da Andrade Gutierrez e da Engevix sobre contratos de obras da Usina de Angra 3. Segundo o Ministério Público Federal, Pinheiro da Silva teria recebido valores por meio de empresas intermediárias. O almirante é acusado de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, obstrução da justiça e organização criminosa.

"Em seu interrogatório, Rogério Nora, réu colaborador, confirmou que, na condição de presidente da construtora Andrade Gutierrez, quando houve a decisão pela retomada da obra de Angra 3, teve contato com Othon Luiz Pinheiro da Silva, que indagou se a empreiteira concordava que, para que esses contratos tivessem sequência, fosse realizada uma ‘contribuição política’ para o PT e para o PMDB. Em sequência, o almirante colocou que ele, em razão de ser um cientista, gostaria que a Andrade Gutierrez contribuísse com ele com 1% sobre o valor das obras para que ele pudesse atender aos seus projetos futuros", informa o Ministério Público Federal.

"Rogério disse ter concordado com o pedido, sendo definido que, quando os contratos passassem a ter eficácia, haveria o pagamento da ‘contribuição política’ e da ‘contribuição científica’ para Othon Luiz", diz o depoimento.

O executivo ligado à Andrade Gutierrez citou uma reunião com Pinheiro da Silva ocorrida em São Paulo na sede da empreiteira. Segundo Rogério Nora, foi estabelecido pelo almirante que, a partir daquele momento, outro executivo da Andrade Gutierrez, Clóvis Primo, "que estava presente na ocasião, era quem cuidaria desses assuntos".

Indagado a respeito do benefício que a Andrade Gutierrez esperava ter ao realizar os pagamentos de propina para Pinheiro da Silva, Rogério Nora respondeu que não esperava benefício em relação à lucratividade da obra, mas sim que a empresa não fosse prejudicada ou sofresse algum tipo de represália que atrapalhasse o seu andamento. Por fim, esclareceu não ter participado de qualquer situação ilícita envolvendo a licitação para a montagem eletromecânica.

A Procuradoria sustenta que o almirante "era o principal mentor do esquema e beneficiário dos recursos de propina que foram por longos períodos canalizados para sua empresa Aratec pelas empreiteiras Engevix e Andrade Gutierrez”. Os investigadores afirmam que o almirante "determinou a abertura de contas bancárias das offshores Hydropower Enterprise Limited para lavar parte dos ativos sujos oriundos dos crimes praticados em detrimento da Eletronuclear".

O Ministério Público Federal pediu, na sexta-feira (3), a condenação do ex-presidente da Eletronuclear. O processo – derivado da Operação Lava Jato, que corre na 7ª Vara Criminal do Rio – pede ainda a condenação de outras 13 pessoas por desvios superiores a R$ 4,4 milhões, além do bloqueio e restituição do valor.

O PT, o PMDB e o ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva negam taxativamente recebimento de propinas.

Autor: Redação Ferreguion

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