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Maduro esbraveja contra proposta da OEA: "Enfie a Carta Democrática onde quiser"



O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, aumentou o tom contra a Organização dos Estados Americanos (OEA) e disse para o secretário-geral da entidade, Luis Almagro, que ele poderia "enfiar a Carta Democrática onde quiser". "Você pode colocá-la em um tubo bem fino e fazer um melhor uso dela, senhor Almagro. Enfie-a onde quiser", declarou Maduro durante um evento político em Caracas.

A ofensa foi feita depois que Almagro convocou nesta terça-feira (31) uma reunião de emergência do comitê permanente da OEA para discutir o clima político na Venezuela e a possível aplicação da Carta Democrática, que permite suspender os países-membros da organização que violarem as garantias democráticas. "Não será aplicada nenhuma carta à Venezuela. Eu convoco uma rebelião nacional contra as ameaças internacionais", ameaçou Maduro.

De acordo com Almagro, a Venezuela passa por uma crise política, econômica e até humanitária, agravada por "contínuas violações da Constituição" por parte do governo de Maduro, a quem foram conferidos "superpoderes" pelo Legislativo nacional. A decisão de Almagro, que é ex-ministro das Relações Exteriores do Uruguai na gestão de José Mujica, é inédita na OEA.

A Carta Democrática é um instrumento através do qual a OEA pode estabelecer que a alteração ou interrupção da ordem democrática em um de seus países-membros representa um "obstáculo insuperável" para a participação do Estado na organização regional.

Em um relatório de 132 páginas, Almagro citou abusos praticados pelo governo de Maduro que estariam obstruindo o "equilíbrio entre os poderes do Estado, o funcionamento e a integração do poder judiciário" e causando "violações de direitos humanos". Almagro também apontou que falta capacidade a Maduro para dar uma resposta à "grave crise humanitária do país, a qual compromete o pleno usufruto dos direitos sociais de sua população".

A oposição da Venezuela acredita ter o apoio de 20 países-membros da OEA – composta por 35 nações – para aprovar a expulsão do país do organismo. Recentemente, Maduro também perdeu aliados na região latino-americana, com a eleição de Mauricio Macri na Argentina e o afastamento de Dilma Rousseff no Brasil. Recentemente, o ex-presidente uruguaio José Mujica, de tendência esquerdista e socialista, disse que Maduro era "mais louco que uma cabra".

Autor: Redação Ferreguion

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